quinta-feira, 19 de junho de 2008

SOLIDÃO


Na solidão suburbana
Onde a multidão se perde
Entre tristeza e tristeza
Adormecendo as palavras
Mastigando os silêncios
Das palavras nuas

Transportar a esperança
Amar as estrelas
percorrer a memória
incendiar a paixão
temperada nas noites
húmidas e adiadas

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terça-feira, 17 de junho de 2008

HABITAR-TE


Quero habitar-te
nos teus ombros nus
repousar as mãos
deslizar sem destino
vigiar o olhar
ancorar os receios
adormecer-te


à noite,
na esteira de todos os dias
despir-te as mágoas
reproduzir-te
nos sons ritmados
no quintal dos afectos
e na ternura das madrugadas
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

JARDINS DA INSÓNIA



RECORDANDO UMA PESSOA MUITO ESPECIAL

sobre a esteira das nossas vidas,
único acolchoado disponível
de afectos envergonhados
e confidencias violadas
projectámo-nos
sorrimo-nos

com ácido escreveremos
nas paredes da intolerância
que a ternura não se abate
saberemos preservá-la
reproduzindo-a
nos jardins da insónia
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sexta-feira, 6 de junho de 2008

ITINERÁRIOS DA ESPERANÇA



a fuga
nascida nas ruínas
dos vocábulos
construtores de afectos
escavados
nas noites ao relento
percorre-nos
respira-nos
humedece-nos

também a chuva
sempre ela
desperta
a beleza e o perfume
que espreita
das janelas das nossas vidas
entreabertas nos itinerários
da esperança
reencontrada

sexta-feira, 14 de março de 2008

NA CASA DE MADEIRA E ZINCO


É sobre nós, Maria!


Na capulana das promessas
adiadas
com ela me percorri
vagueei nos silêncios
da fome de ternura
buscando suas formas
prisioneiras
de corpos distantes




na casa de madeira
a chuva protesta

minha boca se inclina

ela sorri

enrola-se na noite

da paixão descoberta

desprendendo cheiro

a manga e canela


refugiado nas nuvens

carregadas de afectos

repouso o olhar

viajo-lhe o corpo

no silêncio cúmplice

adormeço, embriagado

de sonhos

pintados de fresco


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A REINVENÇÃO DOS AFECTOS


Reinvente-se o amor,
a paz, a tolerância.
Reinventem-se os herois,
e os amigos.
Reinvente-se a mulher,
a ternura, os afectos.
Reinventem-se as formas e
a destruição das armas
Reinventem-se os déspotas e
os despojados
Reinventem-se os traficantes
a carne e a droga
Reinvente-se a vida
os mortos e os famintos
Reinvente-se o poder
o estado e as suas ausências
Reinvente-se tudo,
ou quase
E agora, reinventamos o quê?
Nada
Absolutamente nada
Porque agora
É urgente
é imperioso
descobrir um mundo
admiravelmente
novo
sem amarras
sem profetas
e oprimidos
e charlatães

IMAGEM TIRADA DAQUI