
os silêncios
as lágrimas caídas
a capulana polvilhada
de afectos e saudade
recordam as incertezas
vestidas de esperança
habitadas pelo futuro
construído com suor
destilado em noites
sonhadas de ternura

não somos muito racistas
não, não senhor!
eles é que não
gostam de nós
diz o patrão agitador
na urbe excludente
há cidadãos de cor
assim designados
por falso pudor
a companheira exilada
cozinha silêncios
com criança nas mãos
agressões e dor
bairros degradados
baixos salários
homicídios, assaltos
notícias de jornais
tráfico de droga
de pessoas também
todos diferentes
todos iguais
quem são os racistas
quem é o agressor
regressem à terra
isto já é demais
na urbe excludente
domina a intolerância
o combate dos lúcidos
esbarra com a arrogância
nos discursos oficiais
banalidades rituais
todos bonzinhos
nos telejornais










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Na capulana das promessas
adiadas
com ela me percorri
vagueei nos silêncios
da fome de ternura
buscando suas formas
prisioneiras
de corpos distantes
na casa de madeira
a chuva protesta
minha boca se inclina
ela sorri
enrola-se na noite
da paixão descoberta
desprendendo cheiro
a manga e canela
refugiado nas nuvens
carregadas de afectos
repouso o olhar
viajo-lhe o corpo
no silêncio cúmplice
adormeço, embriagado
de sonhos
pintados de fresco

