quinta-feira, 28 de maio de 2009

À PROCURA DE UM POEMA


No miolo das palavras
antecipo o sabor e o cheiro
de poemas intactos
desertores forçados
abandonados no tempo
de visibilidade nebulosa
invadidos pelo desalento
pelo medo e pelas armadilhas
de adjectivos à solta
barricados nas fronteiras
da linguagem blindada
opaca e obscura

rasgo entranhas
de pensamentos ociosos
cinzentos e incoerentes
ambíguos e frios
ausentes também
polvilhados de mágoas
percorrendo corpos
vasos e tecidos
à procura dum poema
refugiado no sangue
dum sobrevivente
doador de sonhos

quinta-feira, 7 de maio de 2009

NO INFINITO TÃO PRÓXIMO


Pela calada da noite
pé ante pé, sem ruido
afastamo-nos dos olhares
e dos sorrisos manhosos
vagueamos pelas ruelas
sem pressa
sem um protesto
repousamos os corpos
no infinito tão próximo
de nós
cobertos de desejos

terça-feira, 28 de abril de 2009

AS LÁGRIMAS CAÍDAS


As ausências
os silêncios
as lágrimas caídas
a capulana polvilhada
de afectos e saudade
recordam as incertezas
vestidas de esperança
habitadas pelo futuro
construído com suor
destilado em noites
sonhadas de ternura

quinta-feira, 19 de março de 2009

O FUTURO


É preciso dar notícia
informar, mobilizar
que a resistência
à mudança
aprisiona a liberdade
convoca e legitima
a arbitrariedade

É preciso impedir
o regresso ao passado
o ressurgir dos medos
a violência gratuita
o sofrimento, a infâmia
o excesso de autoridade
o reino da impunidade

é preciso dar noticia
mobilizar, resistir
reproduzir a esperança
viabilizar a utopia
recuperar a dignidade
isolar e punir
os carrascos da liberdade

não podemos capitular
temos que acreditar e lutar
jamais mastigaremos silêncios
cumplicidades e medos
nada nos pode acorrentar
saberemos sorrir
lutar e avançar

é urgente extirpar
degenerescências
metástases e bloqueios
falsos profetas
plagiadores de sonhos
usurpadores
sem soçobrar

é preciso, pois
dar noticia, mobilizar
projectar e construir
o futuro sem armadilhas
nem ambiguidade
sem perder de vista
a humanidade

é preciso dar noticia
informar, divulgar
as ausências, os silêncios
o que sofremos
o pão suado
dizer não 
ao regresso ao passado

domingo, 15 de março de 2009

O PROTESTO IMIGRANTE


Em estaleiros de vidas adiadas
homens e mulheres
enclausurados em guetos
de sociedades sem ética
acossados para a marginalidade
reciclados nas fronteiras
da indiferença
a pretexto de serem estrangeiros
estigmatizados pela origem
jazem na miséria e na perseguição
docilizam a revolta
reproduzem a exclusão
NOTA: Click na imagem e aceda ao convite deste protesto

sexta-feira, 13 de março de 2009

AVESTRUZ


não somos muito racistas

não, não senhor!
eles é que não
gostam de nós
diz o patrão agitador

na urbe excludente
há cidadãos de cor
assim designados
por falso pudor

a companheira exilada
cozinha silêncios
com criança nas mãos
agressões e dor

bairros degradados
baixos salários
homicídios, assaltos
notícias de jornais

tráfico de droga
de pessoas também
todos diferentes
todos iguais

quem são os racistas
quem é o agressor
regressem à terra
isto já é demais

na urbe excludente
domina a intolerância
o combate dos lúcidos
esbarra com a arrogância

nos discursos oficiais
banalidades rituais
todos bonzinhos
nos telejornais

IMAGEM DAQUI

quarta-feira, 11 de março de 2009

MUTILADAS DE SILÊNCIOS


mutiladas de silêncios
rasgam muralhas
persistem na busca
solidária
desenham o futuro
edificam espaços
reeditam a esperança
rodeada de afectos
e cumplicidades
partilham e reproduzem

sonhos

com generosidade

quinta-feira, 5 de março de 2009

VIAJEI NAS EMOÇÕES

Viajei no mundo das emoções,
dos afectos e das coisas
desconseguidas
Ingeri, gota a gota,
o suco doce
do teu sorriso
percorri-te com a saudade
povoada de ti e
das tuas ausências
polvilhadas com ternura

domingo, 1 de março de 2009

NO ÚTERO DO PODER



No útero do Poder
ontem e hoje
sobretudo hoje
reapareceu o embuste
mascarado de desapego
filantropia rara
intensa e desértica
sorriso blindado
promessas ilusórias

assobiam, nas margens
da indiferença colectiva
do silêncio cúmplice
subvertem sonhos
reinventam o tempo
constroem muros
acariciam o umbigo
reclamam vitória

é imperioso e inadiável
percorrer a memória
estilhaçar grilhetas
resistir
incendiar a esperança
construir pontes
partilhar o pão
recuperar dignidade

sábado, 28 de fevereiro de 2009

NA SOLIDÃO SUBURBANA





Na solidão suburbana
acossado pela intolerância
relegado para as sarjetas
de sombrias ruelas
do submundo
de penúria e de ausências
exilado no quintal da vida
mastigando silêncios
vagueando nas proximidades
das florestas da hipocrisia

Perdido na noite
rasgou silêncios
muros e medos
forrados de redondas
palavras
escavadas na banalização
da indiferença
atropelando a memória
construída por trapos
de vida e de luta

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

MADRUGADOS NA ESPERANÇA


Hoje, gostaria de te escrever
em papel perfumado
de desejos e sonhos
amadurecidos nas nossas
palavras e gestos
sempre adiados
Hoje, gostaria que te vestisses
de sedução e afectos
madrugados na esperança
tatuada de reencontros
percorridos
pelo teu sorriso

sábado, 14 de fevereiro de 2009

OUTRAS MADRUGADAS





pousado o sextante descansam horizontes
trilham veredas nas iniciáticas noites
por entre o empalidecer das formas
fundem-se em amálgama os sentidos
e nos derradeiros ósculos solares
últimos fulgores dos crepúsculos
aquietam-se cansados os corpos
não não são de água as suas sedes
revolvem nos lençóis as (in)certezas
gravitam em sonho e sonham infinitos
adormecem por fim em marés de luar
esperando o nascer de outras madrugadas

mariam 2009/02/13


Nota: Não resisti transportar, para este espaço, um pouco (?) da sensibilidade de alguém que cultiva a amizade, como poucos

sábado, 6 de dezembro de 2008

DISFARÇADOS DE HERÓIS




nas palavras trémulas
no sofrimento domesticado
na memória adúltera
na esperança interrompida
questionámos o mundo
caminhámos
disfarçados de herois

na escuridão da noite
aquecemos os sonhos
cobertos de pudor
acariciados de sorrisos
temperados de nostalgia
com cheiro a ternura
resistimos


sábado, 22 de novembro de 2008

EMBRIAGADO DE INCERTEZAS



A tortura das palavras,
rodeadas de ternuras
de mágoas e agressões,
desconstroem vidas
na aridez dum tempo
imaginado no vazio de
existências
embriagadas de incertezas
caminhando sem destino

temperando paixões
embebidas em palavras
tatuadas de carícias
estimuladas
no imaginário de desejos
vestidos de afectos
viajámos na esperança
mobilada de sonhos
percorridos por nós

sábado, 27 de setembro de 2008

CUMPLICIDADE


subverter o amor e reinventá-lo
clandestinamente
renascendo no calor dos desejos,
reduzindo a cinza as interferências
de predador ressabiado
refugiado na funesta
mediocridade dum sub-mundo
mergulhado em indignidades

alimentando afectos
incendiando sentidos
adormecidos
na esteira das nossas vidas
partilhadas na terra húmida
das madrugadas reeditadas
nos anexos do amor
por nós habitado

domingo, 7 de setembro de 2008

FÉRIAS


Vou de férias, duas ou três semanas.
O Poesia interrompe
Aos visitantes um até breve

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

DENÚNCIAS CRUZADAS




distante e próximo de ti
protegido pelo teu olhar
acarinhado pelo teu sorriso
exilado nos teus braços
Questiono o silêncio
Descrente, ostracizador
De dúvidas e inquietudes

datadas
adiadas e repelidas
atraídas e acarinhadas
num vai-vem constante
confirmador e céptico
de paixões e ciúmes
asfixiantes

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

VAGUEAR POR TI

Gostaria tanto de te escrever
com palavras quentes mesmo que toscas!
Desenhar-te, percorrendo-te
Escavar na medula das tuas paixões
Vaguear por ti, madrugando-te
Perfumar-te de desejos
Repousar no teu sorriso
Construir poesia com o teu olhar

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

SEREIAS




No imaginário da minha iniciação marítima,encontrei, e deliciei-me,com o convívio com belas sereias.
Esculturais, de caudas majestáticas, seios redondos e irresistíveis ao tacto.
Percorri-as como se viajasse num mar rodeado de afectos com ondas crescentes de desejos incomensuráveis.
Sedutoras e sonhadoras como eu.
Habitámo-nos pela madrugada e ao cair do sol, invariavelmente!
A ideia de as procurar, nadando longas distâncias, sempre me seduziu.
Foi assim que encontrei estes seres mágicos.
Preencheram muitos dos meus sonhos de marinheiro frustrado.
Habitando no alto-mar onde me poderia refugiar?
Seus desejos, são como as ondas, imprevisíveis e incontroláveis
Talvez, a esta hora, elas me estejam habitando, doce e silenciosamente.
Sim, talvez num exercício de masoquismo, me tenha que submeter às suas implacáveis carícias. Talvez amanhã me lance, de novo, ao mar

quinta-feira, 31 de julho de 2008

IMPLODE A PAIXÃO


Pega num sonho,
aquece-o com o teu corpo
Junta-lhe umas pitadas de afecto
e de generosidade.
Incendeia os desejos.
Tempera-os a gosto
Implode a paixão
que habita em ti.
Finalmente, mistura -lhe fome
de ternura
Serve-o fresco ,
acompanhado de ti

domingo, 27 de julho de 2008

ESCREVI UM SONHO


Adormeci no interior de palavras
aquecidas com o calor do teu corpo.
apelei aos sentidos.
no sangue e nas células
que alimentam os nossos afectos
incendeiam desejos
habitados por nós


escrevi um sonho
com imagens colhidas
nos nossos encontros
viajei pelo teu corpo
procurando-nos
num diálogo de surdos
renovado de esperança

quinta-feira, 24 de julho de 2008

DUNAS DE TERNURAS

procurámos a ternura
em beijos trémulos
indecisos
corpos suados
viajantes de sonhos
percorrem
espaços de afectos




deserto de estrelas
dunas de ternuras
noites preenchidas
rasto melódico
imagem indelével
mais uma noite, mais um sorriso
aprisionado de silêncios



quarta-feira, 23 de julho de 2008

MARINHEIRO


sonhei que era marinheiro
aprendi traçar a rota,
tirar ventos
Subir e descer velas
viajar pelo alto-mar
Contemplar o oceano
dormitar no convés
naveguei à vista





cruzei-me com sereias
de cauda translúcida
seios rijos e elegantes
lindas
com sorriso invisível
excitadas no olhar
perturbador, envolvente
enigmático como o sonho

segunda-feira, 21 de julho de 2008

AS PALAVRAS

Com gotas de palavras
Acaricio o teu corpo
Envolto em magia e perfume
Com elas amenizo a ausência
Me aproximam de ti
Modificam destinos
Descobrem ilhas





Com a força das palavras
Preencho vidas e silêncios
Desperto-me magia e força
Enigmas de cores e sensações
Derrubo muros
Construo afectos
Atenuo a solidão








sexta-feira, 18 de julho de 2008

VIAJANDO NA NOITE



No seu peito
acendem-se as memórias
dos primeiros contactos
ocultos no silêncio
cúmplice
de desejos reprimidos
por memórias gélidas


Na floresta dos delírios
dos teus lábios carnudos
reencontro e habito-te
no segredo das sombras
abro as janelas das estrelas
viajamos na noite


segunda-feira, 7 de julho de 2008

PRISIONEIRO


Prisioneiro do teu sorriso
buscarei a sombra do teu corpo
a musica , o perfume
as cores das outras vidas
o brilho do olhar ancorado
na pele das palavras
cicatrizantes

o brilho dos seios rijos.
protegidos por mãos
experimentadas
iluminam o desejo
nas noites temperadas
de carências recriadas
de prazer envolvente

IMAGEM DAQUI

quinta-feira, 19 de junho de 2008

SOLIDÃO


Na solidão suburbana
Onde a multidão se perde
Entre tristeza e tristeza
Adormecendo as palavras
Mastigando os silêncios
Das palavras nuas

Transportar a esperança
Amar as estrelas
percorrer a memória
incendiar a paixão
temperada nas noites
húmidas e adiadas

IMAGEM DAQUI

terça-feira, 17 de junho de 2008

HABITAR-TE


Quero habitar-te
nos teus ombros nus
repousar as mãos
deslizar sem destino
vigiar o olhar
ancorar os receios
adormecer-te


à noite,
na esteira de todos os dias
despir-te as mágoas
reproduzir-te
nos sons ritmados
no quintal dos afectos
e na ternura das madrugadas
IMAGEM DAQUI

quarta-feira, 11 de junho de 2008

JARDINS DA INSÓNIA



RECORDANDO UMA PESSOA MUITO ESPECIAL

sobre a esteira das nossas vidas,
único acolchoado disponível
de afectos envergonhados
e confidencias violadas
projectámo-nos
sorrimo-nos

com ácido escreveremos
nas paredes da intolerância
que a ternura não se abate
saberemos preservá-la
reproduzindo-a
nos jardins da insónia
IMAGEM DAQUI

sexta-feira, 6 de junho de 2008

ITINERÁRIOS DA ESPERANÇA



a fuga
nascida nas ruínas
dos vocábulos
construtores de afectos
escavados
nas noites ao relento
percorre-nos
respira-nos
humedece-nos

também a chuva
sempre ela
desperta
a beleza e o perfume
que espreita
das janelas das nossas vidas
entreabertas nos itinerários
da esperança
reencontrada

sexta-feira, 14 de março de 2008

NA CASA DE MADEIRA E ZINCO


É sobre nós, Maria!


Na capulana das promessas
adiadas
com ela me percorri
vagueei nos silêncios
da fome de ternura
buscando suas formas
prisioneiras
de corpos distantes




na casa de madeira
a chuva protesta

minha boca se inclina

ela sorri

enrola-se na noite

da paixão descoberta

desprendendo cheiro

a manga e canela


refugiado nas nuvens

carregadas de afectos

repouso o olhar

viajo-lhe o corpo

no silêncio cúmplice

adormeço, embriagado

de sonhos

pintados de fresco


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A REINVENÇÃO DOS AFECTOS


Reinvente-se o amor,
a paz, a tolerância.
Reinventem-se os herois,
e os amigos.
Reinvente-se a mulher,
a ternura, os afectos.
Reinventem-se as formas e
a destruição das armas
Reinventem-se os déspotas e
os despojados
Reinventem-se os traficantes
a carne e a droga
Reinvente-se a vida
os mortos e os famintos
Reinvente-se o poder
o estado e as suas ausências
Reinvente-se tudo,
ou quase
E agora, reinventamos o quê?
Nada
Absolutamente nada
Porque agora
É urgente
é imperioso
descobrir um mundo
admiravelmente
novo
sem amarras
sem profetas
e oprimidos
e charlatães

IMAGEM TIRADA DAQUI