sábado, 25 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
ÀS SEXTAS, À NOITE

gente à procura
de um copo cheio
de qualquer coisa
estimulante e com gelo
muito gelo
falam do futuro
do Poder e dos outros
e de dólares.
caju e camisinhas
de fidelidades e álcool
nas sextas à noite
os bares são invadidos
por homens dependentes
desabitados e aturdidos
vazios, também
mulheres atentas
nas ruas do abandono
criancinhas com fome
velhos abandonados
violadores e assaltantes
à solta
políticos ,comerciantes
prostitutas, empresários
mendigos,
bares abarrotados
de gente empedernida
às sextas,
euforia e promiscuidade
rimam com crueldade
sábado, 4 de julho de 2009
ARBITRARIEDADE CONSCIENTE

democráticas, como se diz
todos,
nascer e morrer
de fome ou de tédio
Vagueiam pelas avenidas
do bem-estar social
outros,nem por isso
em viaturas de luxo
em transportes públicos
sempre iguais
uns menos, outros mais
privatizam os aviários
abandonam os pintainhos
soltam as raposas
é dia de festa
apostam na bolsa
no trabalho e nas vidas
que mais lhes convém
E os banqueiros, coitados!
verdadeiros heróis!
governantes, ministros
primeiros e segundos
tanta fé , esforço tamanho
empresários generosos
tão ardilosos!
Em tempo de défice
deficitário
anarquia organizada
prepotência suave
humanidade cruel
é possível combater
e recuperar a dignidade
quinta-feira, 18 de junho de 2009
CIDADE DIVIDIDA

de ferro e cimento
ruas bem iluminadas
pintadas de negro
mar à vista
vivendas de encantar
piscinas, viaturas
topo de gama
aves de rapina
ao cair da noite
abandonam restos
que outros procuram
no fundo do desespero
O outro é de caniço
sombrio e de terra batida
desesperançado de tudo
mabandidos à solta
linchamentos anunciados
estômagos e bolsos
recheados de nada
pessoas sem presente
desmantimentados
driblam a fome
mastigam raivas
cerram os dentes
sonham o futuro
quinta-feira, 28 de maio de 2009
À PROCURA DE UM POEMA

antecipo o sabor e o cheiro
de poemas intactos
desertores forçados
abandonados no tempo
de visibilidade nebulosa
invadidos pelo desalento
pelo medo e pelas armadilhas
de adjectivos à solta
barricados nas fronteiras
da linguagem blindada
opaca e obscura
rasgo entranhas
de pensamentos ociosos
cinzentos e incoerentes
ambíguos e frios
ausentes também
polvilhados de mágoas
percorrendo corpos
vasos e tecidos
à procura dum poema
refugiado no sangue
dum sobrevivente
doador de sonhos
quinta-feira, 7 de maio de 2009
NO INFINITO TÃO PRÓXIMO
terça-feira, 28 de abril de 2009
AS LÁGRIMAS CAÍDAS
quinta-feira, 19 de março de 2009
O FUTURO
informar, mobilizar
que a resistência
à mudança
aprisiona a liberdade
convoca e legitima
a arbitrariedade
É preciso impedir
o regresso ao passado
o ressurgir dos medos
a violência gratuita
o sofrimento, a infâmia
o excesso de autoridade
o reino da impunidade
é preciso dar noticia
mobilizar, resistir
reproduzir a esperança
viabilizar a utopia
recuperar a dignidade
isolar e punir
os carrascos da liberdade
não podemos capitular
temos que acreditar e lutar
jamais mastigaremos silêncios
cumplicidades e medos
nada nos pode acorrentar
saberemos sorrir
lutar e avançar
é urgente extirpar
degenerescências
metástases e bloqueios
falsos profetas
plagiadores de sonhos
usurpadores
sem soçobrar
é preciso, pois
dar noticia, mobilizar
projectar e construir
o futuro sem armadilhas
nem ambiguidade
sem perder de vista
a humanidade
é preciso dar noticia
informar, divulgar
as ausências, os silêncios
o que sofremos
o pão suado
dizer não
domingo, 15 de março de 2009
O PROTESTO IMIGRANTE

homens e mulheres
enclausurados em guetos
de sociedades sem ética
acossados para a marginalidade
reciclados nas fronteiras
da indiferença
a pretexto de serem estrangeiros
estigmatizados pela origem
jazem na miséria e na perseguição
docilizam a revolta
reproduzem a exclusão
sexta-feira, 13 de março de 2009
AVESTRUZ
não somos muito racistas
não, não senhor!
eles é que não
gostam de nós
diz o patrão agitador
na urbe excludente
há cidadãos de cor
assim designados
por falso pudor
a companheira exilada
cozinha silêncios
com criança nas mãos
agressões e dor
bairros degradados
baixos salários
homicídios, assaltos
notícias de jornais
tráfico de droga
de pessoas também
todos diferentes
todos iguais
quem são os racistas
quem é o agressor
regressem à terra
isto já é demais
na urbe excludente
domina a intolerância
o combate dos lúcidos
esbarra com a arrogância
nos discursos oficiais
banalidades rituais
todos bonzinhos
nos telejornais
quarta-feira, 11 de março de 2009
MUTILADAS DE SILÊNCIOS
quinta-feira, 5 de março de 2009
VIAJEI NAS EMOÇÕES
domingo, 1 de março de 2009
NO ÚTERO DO PODER

ontem e hoje
sobretudo hoje
reapareceu o embuste
mascarado de desapego
filantropia rara
intensa e desértica
sorriso blindado
promessas ilusórias
assobiam, nas margens
da indiferença colectiva
do silêncio cúmplice
subvertem sonhos
reinventam o tempo
constroem muros
acariciam o umbigo
reclamam vitória
é imperioso e inadiável
percorrer a memória
estilhaçar grilhetas
resistir
incendiar a esperança
construir pontes
partilhar o pão
recuperar dignidade
sábado, 28 de fevereiro de 2009
NA SOLIDÃO SUBURBANA

acossado pela intolerância
relegado para as sarjetas
de sombrias ruelas
do submundo
de penúria e de ausências
exilado no quintal da vida
mastigando silêncios
vagueando nas proximidades
das florestas da hipocrisia
Perdido na noite
rasgou silêncios
muros e medos
forrados de redondas
escavadas na banalização
da indiferença
atropelando a memória
construída por trapos
de vida e de luta
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
MADRUGADOS NA ESPERANÇA
sábado, 14 de fevereiro de 2009
OUTRAS MADRUGADAS
trilham veredas nas iniciáticas noites
por entre o empalidecer das formas
fundem-se em amálgama os sentidos
e nos derradeiros ósculos solares
últimos fulgores dos crepúsculos
aquietam-se cansados os corpos
não não são de água as suas sedes
revolvem nos lençóis as (in)certezas
gravitam em sonho e sonham infinitos
adormecem por fim em marés de luar
esperando o nascer de outras madrugadas
mariam 2009/02/13
Nota: Não resisti transportar, para este espaço, um pouco (?) da sensibilidade de alguém que cultiva a amizade, como poucos
sábado, 6 de dezembro de 2008
DISFARÇADOS DE HERÓIS
sábado, 22 de novembro de 2008
EMBRIAGADO DE INCERTEZAS

rodeadas de ternuras
de mágoas e agressões,
desconstroem vidas
na aridez dum tempo
imaginado no vazio de
existências
embriagadas de incertezas
caminhando sem destino
temperando paixões
embebidas em palavras
tatuadas de carícias
estimuladas
no imaginário de desejos
vestidos de afectos
viajámos na esperança
mobilada de sonhos
percorridos por nós
sábado, 27 de setembro de 2008
CUMPLICIDADE

clandestinamente
renascendo no calor dos desejos,
reduzindo a cinza as interferências
de predador ressabiado
refugiado na funesta
mediocridade dum sub-mundo
mergulhado em indignidades
alimentando afectos
incendiando sentidos
adormecidos
na esteira das nossas vidas
partilhadas na terra húmida
das madrugadas reeditadas
nos anexos do amor
por nós habitado
domingo, 7 de setembro de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
DENÚNCIAS CRUZADAS
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
VAGUEAR POR TI
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
SEREIAS

Percorri-as como se viajasse num mar rodeado de afectos com ondas crescentes de desejos incomensuráveis.
A ideia de as procurar, nadando longas distâncias, sempre me seduziu.
Habitando no alto-mar onde me poderia refugiar?
Talvez, a esta hora, elas me estejam habitando, doce e silenciosamente.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
IMPLODE A PAIXÃO
domingo, 27 de julho de 2008
ESCREVI UM SONHO

aquecidas com o calor do teu corpo.
apelei aos sentidos.
no sangue e nas células
que alimentam os nossos afectos
incendeiam desejos
habitados por nós
escrevi um sonho
com imagens colhidas
nos nossos encontros
viajei pelo teu corpo
procurando-nos
num diálogo de surdos
renovado de esperança
quinta-feira, 24 de julho de 2008
DUNAS DE TERNURAS
quarta-feira, 23 de julho de 2008
MARINHEIRO

aprendi traçar a rota,
tirar ventos
Subir e descer velas
viajar pelo alto-mar
Contemplar o oceano
dormitar no convés
naveguei à vista
cruzei-me com sereias
de cauda translúcida
seios rijos e elegantes
lindas
com sorriso invisível
excitadas no olhar
perturbador, envolvente
enigmático como o sonho
segunda-feira, 21 de julho de 2008
AS PALAVRAS
sexta-feira, 18 de julho de 2008
VIAJANDO NA NOITE
segunda-feira, 7 de julho de 2008
PRISIONEIRO

buscarei a sombra do teu corpo
a musica , o perfume
as cores das outras vidas
o brilho do olhar ancorado
na pele das palavras
cicatrizantes
o brilho dos seios rijos.
protegidos por mãos
experimentadas
iluminam o desejo
nas noites temperadas
de carências recriadas
de prazer envolvente
IMAGEM DAQUI
quinta-feira, 19 de junho de 2008
SOLIDÃO

Onde a multidão se perde
Entre tristeza e tristeza
Adormecendo as palavras
Mastigando os silêncios
Das palavras nuas
Transportar a esperança
Amar as estrelas
percorrer a memória
incendiar a paixão
temperada nas noites
húmidas e adiadas
IMAGEM DAQUI
terça-feira, 17 de junho de 2008
HABITAR-TE

nos teus ombros nus
repousar as mãos
deslizar sem destino
vigiar o olhar
ancorar os receios
adormecer-te
à noite,
na esteira de todos os dias
despir-te as mágoas
reproduzir-te
nos sons ritmados
no quintal dos afectos
e na ternura das madrugadas
IMAGEM DAQUI
quarta-feira, 11 de junho de 2008
JARDINS DA INSÓNIA
+de+esteira2_-brasiloeste_com_br.jpg)
sobre a esteira das nossas vidas,
único acolchoado disponível
de afectos envergonhados
e confidencias violadas
projectámo-nos
sorrimo-nos
com ácido escreveremos
nas paredes da intolerância
que a ternura não se abate
saberemos preservá-la
reproduzindo-a
nos jardins da insónia
IMAGEM DAQUI
sexta-feira, 6 de junho de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
NA CASA DE MADEIRA E ZINCO

Na capulana das promessas
adiadas
com ela me percorri
vagueei nos silêncios
da fome de ternura
buscando suas formas
prisioneiras
de corpos distantes
na casa de madeira
a chuva protesta
minha boca se inclina
ela sorri
enrola-se na noite
da paixão descoberta
desprendendo cheiro
a manga e canela
refugiado nas nuvens
carregadas de afectos
repouso o olhar
viajo-lhe o corpo
no silêncio cúmplice
adormeço, embriagado
de sonhos
pintados de fresco
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A REINVENÇÃO DOS AFECTOS

a paz, a tolerância.
Reinventem-se os herois,
e os amigos.
Reinvente-se a mulher,
a ternura, os afectos.
Reinventem-se as formas e
a destruição das armas
Reinventem-se os déspotas e
os despojados
Reinventem-se os traficantes
a carne e a droga
Reinvente-se a vida
os mortos e os famintos
Reinvente-se o poder
o estado e as suas ausências
Reinvente-se tudo,
ou quase
E agora, reinventamos o quê?
Nada
Absolutamente nada
Porque agora
É urgente
é imperioso
descobrir um mundo
admiravelmente
novo
sem amarras
sem profetas
e oprimidos
e charlatães
IMAGEM TIRADA DAQUI


















