
com amor, suavemente
até à excitação
timida
massajam o ego
recusam prostitui-las
asseguram dignidade
transparência e afecto
acolhem-nas num universo
linguístico e criativo
sedutor e reprodutor
liberto da teia do
pensamento único
castrador
abandonados por Keynes
aguardo-te,








não somos muito racistas
não, não senhor!
eles é que não
gostam de nós
diz o patrão agitador
na urbe excludente
há cidadãos de cor
assim designados
por falso pudor
a companheira exilada
cozinha silêncios
com criança nas mãos
agressões e dor
bairros degradados
baixos salários
homicídios, assaltos
notícias de jornais
tráfico de droga
de pessoas também
todos diferentes
todos iguais
quem são os racistas
quem é o agressor
regressem à terra
isto já é demais
na urbe excludente
domina a intolerância
o combate dos lúcidos
esbarra com a arrogância
nos discursos oficiais
banalidades rituais
todos bonzinhos
nos telejornais










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Na capulana das promessas
adiadas
com ela me percorri
vagueei nos silêncios
da fome de ternura
buscando suas formas
prisioneiras
de corpos distantes
na casa de madeira
a chuva protesta
minha boca se inclina
ela sorri
enrola-se na noite
da paixão descoberta
desprendendo cheiro
a manga e canela
refugiado nas nuvens
carregadas de afectos
repouso o olhar
viajo-lhe o corpo
no silêncio cúmplice
adormeço, embriagado
de sonhos
pintados de fresco

